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Sábado, 10 de outubro de 2026
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Entidades criticam mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada na reforma da Previdência


Data: 29 de março de 2017
Crédito: Assessoria de Imprensa
Fotos: Assessoria de Imprensa

As mudanças nas regras de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), previstas na reforma previdenciária proposta pelo governo federal, foi tema de Grande Expediente realizado na sessão desta terça-feira (28/3). Representantes do Conselho Nacional de Assistência Social e dos conselhos municipais do Idoso e dos Direitos da Pessoa com Deficiência utilizaram o espaço, proposto pelo vereador Patetta (PP), para expor aos parlamentares e à comunidade os problemas que serão ocasionados com a possível aprovação do texto.

O BPC é um benefício assistencial no valor de um salário mínimo mensal, concedido a idosos com mais de 65 anos ou pessoas com deficiência, cuja renda por pessoa do grupo familiar seja inferior a um quarto do salário mínimo vigente. Por se tratar de um benefício assistencial, não é necessário ter contribuído com o INSS para ter direito a ele. A gestão é feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social, responsável pela implementação, coordenação, regulação, financiamento, monitoramento e avaliação do benefício. A operacionalização é realizada pelo INSS.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da reforma da Previdência, desvincula do salário mínimo o valor do BPC, que passará a ser fixado em lei. O texto também prevê a elevação gradual da idade mínima para obtenção do benefício de 65 para 70 anos.

O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Valoir Mendes, manifestou a posição contrária à PEC da reforma da Previdência e afirmou que os idosos e as pessoas com deficiência serão atingidos diretamente com as mudanças previstas no BPC. "Esse é um direito garantido por lei, previsto na Constituição federal e regulamentado pela Lei Orgânica de Assistência Social. Ele é pago com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social, os recursos não vêm da Previdência", esclareceu.

Edna Alegro, representante do Conselho Nacional de Assistência Social, defendeu a importância de a população ter conhecimento sobre a importância do benefício para as pessoas que dele dependem. "Não é uma caridade, mas uma obrigação do poder público de dar acesso à renda a quem não tem condições de se sustentar", argumentou. Ela destacou que é preciso desfazer o pensamento de que alguém irá deixar de trabalhar e contribuir para um dia viver do dinheiro do BPC. Representando o Conselho Municipal do Idoso, Sergio Stringhini comentou a importância do BPC para os beneficiários e disse que as medidas previstas na PEC irão aumentar as necessidades das famílias.

Presidente da Comissão Especial em Defesa da Previdência Pública na Câmara, o vereador Ivo Fiorotti (PT) lembrou que o Legislativo canoense aprovou uma moção em defesa da Previdência Pública e contra a perda de direitos dos trabalhadores e aposentados brasileiros. Uma cópia do documento foi entregue às entidades que participaram do Grande Expediente.

Assunto também foi debatido pelos vereadores

Segundo Ivo Fiorotti, a atuação da comissão especial está focada em quatro pontos: defesa da Previdência e Seguridade Social, denunciar a perda de direitos promovida pela PEC 287, defesa de um debate mais amplo e apoio à CPI da Previdência, proposta pelo senador Paulo Paim (PT/RS). Ele afirmou que haverá, no início de abril, a divulgação de um calendário de audiências externas que buscarão fomentar o debate sobre o tema na cidade. "Trata-se de uma reforma constitucional de profundo alcance, de retirada de direitos, visando basicamente ofertar uma brecha de mercado à iniciativa privada", avaliou. 

O líder do governo na Câmara, vereador Cezar Mossini (PMDB), questionou a forma como o assunto vem sendo abordado, fazendo parecer, segundo ele, que o texto da reforma propõe a extinção do BPC. "Sou contrário ao ataque aos direitos das pessoas que precisam do socorro público, mas também sou contra que pessoas façam uso de deduções e especulações para projetar pânico nas pessoas", enfatizou. Para o parlamentar, existe uma distorção do texto em relação ao BPC, pois "em nenhum momento ele fala em retirada de direitos".

A manifestação de Mossini foi contestada pelo líder da bancada do PT, vereador Emilio Neto (PT). Ele concordou que a PEC não prevê o fim do BPC, mas afirmou que, ao desvincular o benefício do salário mínimo, não existirá mais a garantia do valor a ser pago. "É muito grave o que está acontecendo, uma ofensa a uma história que foi conquistada", disse. O vereador Ivo Fiorotti reiterou que não há como negar que a elevação da idade mínima e a desvinculação do salário mínimo levam à perda e redução de direitos. Paulinho de Odé também reforçou que, caso aprovado esse artigo da PEC, não haverá garantias sobre o valor a ser recebido pelos beneficiários. 




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